---
title: "Doenças transmitidas por carrapatos em cães: erliquiose e babesiose na prática clínica"
slug: doencas-transmitidas-por-carrapatos-caes-erliquiose-babesiose
excerpt: O complexo doença do carrapato — erliquiose por Ehrlichia canis e babesiose por Babesia spp. — segue entre os desafios mais frequentes do atendimento clínico de cães no Brasil. Um guia prático sobre fases, sinais clínicos, diagnóstico, tratamento e prevenção.
author: Milene Fozza
category: Gestão de Clínica
published_at: "2026-07-03T09:49:00+00:00"
reading_time: 4
canonical_url: "https://api.allears.vet/blog/doencas-transmitidas-por-carrapatos-caes-erliquiose-babesiose"
locale: pt-BR
---

# Doenças transmitidas por carrapatos em cães: erliquiose e babesiose na prática clínica

Poucas afecções aparecem com tanta frequência no dia a dia da clínica de cães quanto a  **doença do carrapato**. Transmitidas principalmente pelo carrapato marrom (*Rhipicephalus sanguineus*), a **erliquiose** (*Ehrlichia canis*) e a **babesiose** (*Babesia* spp.) compartilham vetor, apresentações clínicas que se sobrepõem e, com frequência, ocorrem como coinfecção. Para o médico veterinário, dominar suas fases, o raciocínio diagnóstico e as opções terapêuticas é parte essencial da rotina.

## Dois agentes, um vetor

A **erliquiose monocítica canina** é causada pela bactéria intracelular *Ehrlichia canis*, que infecta principalmente monócitos. A **babesiose** é provocada por protozoários do gênero *Babesia*, que parasitam as hemácias e levam à sua destruição. Como ambos os agentes circulam no mesmo carrapato, é comum encontrar coinfecção — situação que tende a tornar o quadro mais grave e o diagnóstico menos óbvio.

## As fases da erliquiose

A erliquiose costuma ser descrita em três fases, e reconhecê-las orienta tanto a investigação quanto o prognóstico.

- **Fase aguda:** surge semanas após a infecção. Predominam apatia, febre, anorexia, linfadenomegalia e esplenomegalia. A **trombocitopenia** é um achado laboratorial marcante já nessa etapa.
- **Fase subclínica:** o animal pode parecer recuperado, sem sinais clínicos evidentes, enquanto o agente persiste no organismo. Muitos cães permanecem assim por longos períodos.
- **Fase crônica:** a mais temida. Pode cursar com pancitopenia, hipoplasia de medula óssea, anemia importante, sangramentos (epistaxe, petéquias) e quadros multissistêmicos de difícil manejo.

A babesiose, por sua vez, costuma manifestar-se de forma mais aguda, com **anemia hemolítica**, mucosas pálidas ou ictéricas, febre, fraqueza e, em casos graves, hemoglobinúria.

## Sinais clínicos que devem acender o alerta

Na anamnese e no exame físico, alguns achados aumentam a suspeita: histórico de infestação por carrapatos, **apatia**, **febre**, perda de peso, mucosas pálidas, linfonodos aumentados e qualquer manifestação de **sangramento**. Laboratorialmente, **trombocitopenia** e **anemia** são pilares da suspeita do complexo. Vale lembrar que a ausência de carrapatos no momento da consulta não exclui o diagnóstico — a infecção pode ter ocorrido semanas antes.

## Raciocínio diagnóstico

O diagnóstico combina clínica, laboratório e métodos específicos:

- **Esfregaço sanguíneo:** pode revelar mórulas de *Ehrlichia* dentro de monócitos ou formas de *Babesia* no interior das hemácias. É barato e rápido, mas tem sensibilidade limitada — um esfregaço negativo não descarta a doença.
- **Sorologia:** detecta anticorpos e ajuda na confirmação, sobretudo na erliquiose; deve ser interpretada considerando a fase da doença e a possibilidade de exposição prévia.
- **PCR:** identifica o material genético do agente, com boa sensibilidade e especificidade, sendo útil para confirmar e diferenciar espécies.

O hemograma é indispensável e frequentemente o primeiro a sugerir o complexo, ao evidenciar trombocitopenia, anemia ou pancitopenia.

## Tratamento

Para a erliquiose, a **doxiciclina** permanece como antimicrobiano de escolha, administrada por período prolongado conforme avaliação clínica. Na babesiose, empregam-se **antiparasitários** específicos contra o protozoário. Em ambos, o suporte é decisivo: hidratação, manejo da anemia e, em casos selecionados de anemia grave, considerar **transfusão sanguínea**. O acompanhamento laboratorial seriado — em especial a recuperação da contagem de plaquetas e do hematócrito — é o que confirma a resposta terapêutica.

<div class="aev-cta" data-variant="banner" data-href="/register" data-description="Transcrição automática, resumo clínico estruturado e busca em toda a anamnese — sem digitar uma linha.">Acompanhe hemograma e evolução sem reescrever histórico</div>

## Prevenção: o vetor é o alvo

Como tudo começa no carrapato, o **controle do vetor** é a medida mais eficaz. Orientar o responsável sobre o uso regular de antiparasitários de ação carrapaticida, o manejo ambiental e a inspeção frequente do animal reduz drasticamente o risco. A remoção precoce do carrapato também diminui a chance de transmissão. A prevenção vale mais do que o tratamento.

## Conclusão

Erliquiose e babesiose continuam sendo protagonistas na clínica de cães no Brasil. O sucesso depende de reconhecer os sinais clínicos cedo, interpretar corretamente o hemograma e os exames específicos, instituir o tratamento adequado e — sobretudo — não perder de vista a evolução do paciente ao longo das semanas. É justamente nesse acompanhamento, com registro clínico organizado e acessível, que se constrói o desfecho favorável.